terça-feira, 30 de maio de 2017

Strani Amori
https://www.youtube.com/watch?v=bt4dHCzdBrA

meionorte.com













Querida,

ouça-me agora como se eu fosse um espectro (que, aliás, apenas serei, assim como você, assim como todos que estão vivos e, principalmente, todos os que se arriscam em amar...).

"Amar" (Drummond que me desculpe) não é um verbo intransitivo...

A humanidade não pode evoluir apenas em tecnologia; temos de aprender a ser humanos como sempre fomos antes da porra (por exemplo) da Revolução Industrial.


“Amar” não é nem verbo, nem advérbio, nem coisa nenhuma no coração de um homem como eu, como nós, como todos nós (que ainda encontramos no caminho sensações estranhas aos computadores, celulares, etc.).

Durante as guerras, os seres humanos só precisam de coragem para lutar... Em paz, lutamos com nossa fragilidade, com nossa surpreendente sinceridade, com nossa agressiva expressão cordial...

Quem se achar ridículo leia este texto como ridículo! Quem se achar precioso, encontre a si mesmo em uma pérola! Quem se achar perdido, este sim provavelmente encontrou o verdadeiro amor, que caminha oculto, embora visível, junto à humanidade.



ano 1 editora
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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Um bafo de desabafo

Bruno Santos / Folhapress








A sensação que tenho hoje, 2017, é que as elites ainda repetem a mesma estratégia dos “bondosos” colonizadores do Brasil que estimulavam guerras entre tribos africanas do século XVI ao século XIX para “extrair” os escravos que lhes serviriam como animais aqui em nossa pátria amada.
Li recentemente em um mural do meu bairro:  “Um pobre mata outro pobre para comer as migalhas dos ricos”.
A violência entre os homens parece ser um bom investimento para as classes mais privilegiadas. Enquanto os pobres, os miseráveis e os zumbis arrastam-se por aí ou trabalhando, ou pedindo esmola ou morrendo em vida, os investimentos em publicidade, seja de empresas ou de artistas e políticos, é cada vez mais vigorosa.
Vide a violência maior que é a corrupção política (vindo atrás os investimentos estupidamente gananciosos dos grandes capitais).
Enquanto aqui embaixo nos destruímos com as mais diversas formas (sutis ou não), os ricos cada vez mais alucinam a claridade dos dias sem deixar nem um pouco de esperança para nós.
Só migalhas...



A ano 1 editora agradece o professor GERALDO MAGELA, autor do livro ATALHOS recém lançado por nós na Escola Técnica Visconde de Mauá, em Marechal Hermes nesta quinta-feira, p.p., no Salão da Mecânica.
Vibrantes e utópicos, professores, alunos e funcionários comemoraram mais um momento de resistência cultural, apesar de todas as dificuldades que a Educação vem enfrentando nesta cidade, neste estado, neste país.
Pautamos nossa fala na responsabilidade do elo entre quem escreve, quem edita e quem, finalmente, ensina. Noite inesquecível. Homenageamos CARINHOSO (Pixinguinha e Braguinha) que completou 100 anos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Bob Dylan...






https://youtu.be/OeP4FFr88SQ





Depois de Bob Dylan tudo é possível. O cara veio do Oeste norte-americano, caipira instruído sem perder o sotaque rústico de sua região e com uma inteligência e criatividade universal.

Depois de Bob Dylan e seu Prêmio Nobel de Literatura, as pessoas irão conceituar menos e entregar-se mais de coração ao que chamam normalmente de criação literária.

Quisera os famosos poemas dos mais geniais estetas tivessem a musicalidade como essência, tal como as músicas dele têm como conteúdo e literariedade.

Não é difícil ser contra ou a favor de um gênio, já que sua forma esdrúxula de apresentar-se não tem precedentes e, portanto, exige pouco de quem elogia ou desce a ripa em cima.

Ano passado, em meados de outubro, Robert Zimmerman ganhou o Prêmio Nobel de Literatura e alguns estranharam. Mas estranharam o quê, se a arte é justamente estranhamento?!

Se Baudelaire já havia escrito “Embriagai-vos! Embriagai-vos! Seja de poesia, de vinho ou de virtude!”, então...

... Toda virtude é uma espécie de estado poético e uma embriaguez essencial.

... Toda poesia é uma virtude natural.

... Toda embriaguez, uma elevação do espírito poético criativo.

Portanto, se a resposta está no vento, por que ficar classificando tudo e todos?!

Aproveitando o Wesak (festa da iluminação do Budha, dia 10 p.p., plenilúnio de maio): nenhuma criação deve vir da lógica humana. A Criação veio do infinito e para lá tem de voltar, do contrário não será "infinito" mas "fim".


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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Luares de plástico


http://extra.globo.com











O poeta anônimo – em relação à mídia grande – e autônomo – em relação ao pequeno círculo de seus fiéis e honestos amigos – sofre, e não é um sofrimento comum, daqueles que doem apenas e não trazem consequência nenhuma.

Todos os dias artistas enfrentam o desafio financeiro de viver um estilo de vida independente, o desrespeito de pessoas que acham que eles deviam ter um emprego a sério e o seu próprio medo de nunca mais ter trabalho.” DAVID ACKERT

Não bastasse isso, ainda sofre com o desprestígio de quem cria com a alma coletiva em si, despertando nas pessoas um sentimento comum de que somos semelhantes em nossos caminhos, em nossos desejos e em nossas dores.

NO CAMINHO COM MAIAKOVSKI foi atribuída ao próprio Maiakovski, enquanto Eduardo Alves da Costa saboreava o amargo dessa injustiça durante anos.

DESEJO, de Sergio Joycksman, desfilou pela internet sob autoria de Victor Hugo, consagrado pela história da literatura e que não precisava desse tipo de publicidade. Joycksman está precisando de um “auxílio luxuoso" de alguma atriz global (que mantém a voz do povo sob controle), como aconteceu com Eduardo: ser citado no brilho das luzes da ribalta de uma novela.

O que fazer? Escrevemos para quê ou para quem?!

E o que mais “surtiu efeito” na mídia estupidamente grande foi o “bagaço” da obra prima DESEJO: a subletra AMOR PRA RECOMEÇAR, subgravada pelo subgrupo BARÃO VERMELHO, demonstrando que a subcultura dá muito dinheiro aos “poetas” de plantão, que escrevem ou compõem com a alma em "colaboração premiada".

De forma inadvertida, eu mesmo passei a maior vergonha com uma amiga que me corrigiu veementemente e cheia de razão, sim: disse-me que eu errara ao atribuir ao Carlos Drummond de Andrade a frase: “A dor é inevitável; o sofrimento é opcional”.

Só que ela não me disse quem era o verdadeiro autor. Eu fui pesquisar na internet e, em quinze minutos, já havia encontrado uns 4 ou 5 “autores” dessa frase.

Se alguém quiser interagir e me ajudar... Preciso respirar um pouco, agora...




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terça-feira, 16 de maio de 2017

Se todo amor soubesse
[Um pouco de prosa poética para relaxar]













Se todo amor soubesse
que não se pode ter tudo de uma só vez,
ou de uma só pessoa...

Se todo amor soubesse
que, quando se pensa não ter mais nada,
há muito o que se possuir
diante de tudo o que ainda se pode dar...

Ninguém deixaria seus sentimentos
se afogarem nos encantos de um copo
ou nos labirintos de um corpo qualquer

Nem largaria a vida como um barco abandonado
às margens do que encontraria
se sozinho houvesse continuado

Muito menos esqueceria do abrigo do próximo instante,
mesmo diante do precipício da hora
de um amor poente.


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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Dias de sempre, de nunca mais ou de nem lembrar
Escrita ao final do ano 2016

Inos Corradin - Repouso do Equilibrista














Ando um pouco tenso por esses dias de passagem de ano, para alguns, últimos dias; para outros, primeiros.
Últimos para aqueles que temem a morte e contabilizam suas noites e seus dias em contagem regressiva... Primeiros dias para os que, mais adiante, vão criar um passado polinizador de uma memória saudável.
Não quero ficar em cima do muro, mas creio que a eterna lei do equilíbrio funciona muito bem neste e em tantos outros casos com que nos defrontamos em nossas vidas.
Todo último tem a plenitude de uma visão de tudo que está em sua frente; tem como perspectiva toda uma possibilidade de vencer, seguir adiante, alcançar objetivos, nem que seja porque não tem nada a perder.
O primeiro, apesar de todo brilhantismo de suas vitórias, corre o risco de acomodar-se à realidade como se ela fosse definitiva e mais nada houvesse para conquistar.

Então, nada mal poder ter muitas coisas para conquistar, ao mesmo tempo que sentir o prazer de reconhecer outras tantas já conquistadas.

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terça-feira, 9 de maio de 2017

Mais um dia na vida...


AliExpress.com














Foi difícil recolher meus cacos entre tantos destroços em uma região abandonada e perdida dentro de mim. É duro ver-se como a si próprio se vê um quase sobrevivente sobre os escombros de um prédio que desabou em plena avenida principal. Foi difícil mas não foi impossível.
Fugi sem ajuda de ninguém...
Vaporizei do jeito que o momento mais quente exigiu de minha fraqueza, minha senilidade, minha razão de perder a própria razão e me tornar mais um dia na vida...
Não morrer...
... apenas mais um dia na vida...


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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Hino ou oração?!













"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." [Rui Barbosa - 1914]

Vivemos uma época em que já não nos cabe mais cantar hinos, porque podem tornar-se estímulo musical não para uma guerra declarada e comum a um povo, mas para uma convocação à violência que nossa sociedade vive hoje em dia.

Uma oração cabe bem melhor em nossos dias de franca atitude de desrespeito que o ser humano tem por si próprio, porque as palavras sagradas (seja qual for a religião do cidadão) nos remetem à esferas sublimes de entendimento sobre o que está se passando entre nós.

Um hino convoca; uma oração invoca.

Um hino pode ser uma canção devassa de um jovem cantor de hap; uma oração pode ser um apelo sincero e profundo.

Um hino, hoje em dia, exige apenas palavras desconexas, palavrões incabíveis ou métrica e rimas esquartejadas; uma oração pode ser expressa por um simples olhar de compaixão (“Como eu não sei rezar / Só queria mostrar / Meu olhar, meu olhar, meu olhar” – Renato Teixeira).

Enfim, nosso tempo é de oração, não de hinos, porque cada um de nós tem de redescobrir-se como parte de um todo, e este é um bom início: voltar ao princípio agregador de tudo (nossa ação individual) para chegar ao todo desintegrador (ação coletiva).

 “Oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do homem”, para fechar esta crônica com o mesmo autor que a iniciamos.



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terça-feira, 2 de maio de 2017

Belchior


www.artmajeur.com/pt/art-gallery/gallery/gasparcunha/1214521











Não, não vou deixar ninguém morrer dentro de mim! Ninguém vai ficar agonizando em minha velhice, nem eu tampouco vou viver para tentar ressuscitar meus amigos que já partiram.

A vida, pessoalmente, está se tornando um grande baile de estrelas distantes, impossível de serem alcançadas pelo meu olhar sempre ávido de novidades.

Este blues que me acompanha, cada vez mais economizando notas musicais e substantivando espaços johncagenianos, será sempre uma canção de vida e morte... de sonho e realidade... Parece covardia, diria o leitor, ou a covardia hoje é confundida com honestidade?!

Melhor para nós que estamos morrendo vivos... e não vivendo mortos... (“Hoje eu sei / Que quem me deu a ideia / De uma nova consciência e juventude / Está em casa / Guardado por Deus / Contando o vil metal” – Belchior)

("Vem, vem viver comigo / Vem correr perigo” – Belchior. “Minha hóstia é o perigo!” – João de Abreu Borges), porque todo futuro é uma ameaça e só aqueles que têm medo de si próprios traem a si próprios, ao mesmo tempo traindo o futuro que declararam impossível de chegar... mas está chegando!

Apesar do vigoroso cunho popular (“O cemitério está cheio de heróis!”), nosso mundo também está, só que os mortos entram para a posteridade, e os vivos vivem postergados.

Todos que morreram ouvindo blues ou samba-canções sempre viverão no coração daqueles que, como eu, continuam na mesma estrada, no mesmo caminho sem voltar pra casa, cantando as mesmas canções em tom diferente, com arranjo diferente, com simulações até de andamento...

Não, não vou deixar ninguém morrer dentro de mim! Aqui não está o refrão de qualquer blues ou samba-canção. Aqui apenas está uma alma brasileira que olha pro mundo como quem olha para si mesma.

O resto?! Bem, ouçam
Ou
https://www.youtube.com/watch?v=dvpk1wL_zC8 (não esqueça de pular o anúncio publicitário no início do vídeo... rs...)
Por fim (não finalmente...)...


A tristeza é uma realidade; a alegria, um estado de espírito...


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