quinta-feira, 29 de junho de 2017

A maior e melhor notícia de hoje










Feliz ou infelizmente, não é uma notícia incomum, já que nossa cidade está há muito tempo sob a eterna regência e vigilância deste milenar Ser.
O Rio de Janeiro continua lindo, sim, mas vive constantemente assustado com a presença caudalosamente escaldante de tanta coisa acontecendo, inclusive, já de manhã cedo.
Como é que a gente deve proceder para aprender a conviver com isso?! Não podemos fechar os olhos para o que acontece diante de nossos estapafúrdios passos urbanos, inseguros e desnudos pelas surpresas que as ruas nos oferecem.
Deveremos ser gratos por isso?! E, neste caso, agradecer a Quem?! O que está acontecendo faz parte da evolução de nossa história humana ou mera obra do acaso?!
Quantos séculos teremos de esperar ainda para reconhecer que, além da ganância, da ambição, da pressa, da peneira das dívidas, da inveja, do desespero... além de tudo isso, quando iremos Verdadeiramente perceber que Ele, não brilha à toa, e ainda se chama SOL !!!


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terça-feira, 27 de junho de 2017

A eter(n)idade da matéria










Quando “chega a idade”, em termos de tempo, ela não anula necessariamente as condições do espaço em que nos encontramos.
Há uma relação íntima entre tempo/espaço, mesmo escapando das garras da Física.
Se em mim há um tempo neutro (idade) buscando um espaço físico coerente com a minha liberdade (sinônimo de movimento)...
Se em mim há um santo bêbado... ou um manto vermelho ou amarelo... ou um olhar sem comida no fundo do prato... ou um barco ancorado “temendo” o horizonte no fundo do porto...
Se em mim há tudo isso e muito mais, por que a dúvida?! Por que a oposição da fé?!
O infinito não tem idade... não tem saudade o espaço. O que nos cria é o que nos destrói; o que nos faz, do mesmo jeito que os fez, vai nos desfazer; não no sentido do que existiu e deixou de existir, mas na direção de cada novo momento: ovo-movimento.


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quinta-feira, 22 de junho de 2017

A naturalidade das coisas simples

http://olhares.sapo.pt/velhice-foto6573719.html








“É nas coisas simples e nos gestos cotidianos que existimos!”. Nossa, que linha de pensamento incrível!!! Extraí essa preciosidade do livro TRAVESSIAS DO TEMPO – Acompanhamento terapêutico e envelhecimento, que estou literalmente devorando, ainda mais que a chuva no Rio de Janeiro persiste há uma semana e insistirá por mais uma, segundo os meteorologistas.
Esta frase caberia na maioria dos textos publicados em livros que trazem um discurso humanista para a nossa felicidade. No momento, trata-se de um livro de psicogeriatria que leio em função de estar trabalhando eventual porém firmemente com idosos, dementes, parksonianos, alzheimerianos, etc.
Estou lendo este livro por uma questão de honestidade moral, não por pretensões teórico-profissionais, já que sou apenas um músico sensível às pessoas que precisam de mim e de minha musicalidade.
Porém, voltando à frase, infelizmente há um lado triste em seu conteúdo quando a relacionamos com a complexidade da vida moderna. A tecnologia à disposição de qualquer um que queira fazer dela um mero instrumento de superficialidades, como status social, cultural e até mesmo mercadológico.
Lembro, agora, de uma fábula budista (por sinal, consta do meu livro supracitado) em que o mestre chama o discípulo para realizarem uma grande coisa. O discípulo entusiasma-se: “Vamos sim, mestre! O que vai ser?!”.
O mestre pede que seu pupilo pegue uma bacia com água, sabonete e uma toalha. Quando o rapaz volta, ambos molham as mãos, lavam com o sabonete e enxugam com a toalha. Após isso, o discípulo pergunta: “Pronto, mestre, qual é a grande coisa que iremos fazer?!”
E o mestre: “Filho, nós acabamos de realizá-la!”.

A VIDA QUE COMEÇA AOS 60... OS “NOVOS VELHOS”,
(ano 1 editora) trecho do livro em que narro minha experiência pessoal aos 66 anos de idade.


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terça-feira, 20 de junho de 2017

A atenção dos objetos ou...


pt.dreamstime.com/fotos-de-stock-casa-abstrata















Mora-se numa casa simples. Ampliam-se os espaços enquanto expressão viva de seus significados. Um vaso de planta pode nos colocar diante de uma floresta, se de uma floresta vieram estas flores. E as flores podem nos deslocar para uma mulher, se esta mulher intencionou eternizar-se entre mim e o mundo.

Cada objeto que compõe uma casa torna-se ímpar diante do fato de que seu único par é a importância que tem para os fenômenos da memória humana.

Constrói-se um lar, mas não se constrói necessariamente uma casa; e vice-versa. A casa é um aspecto físico de nossa memória e, como tal, serve apenas como um abrigo físico. O lar é o conjunto de afetos que são remetidos por cada objeto conquistado, seja pelo sentimento de pessoas queridas, seja aptidão de cada um em criá-los com suas próprias mãos.

O olhar se deixa dominar por tamanho amor envolvido nesta história, que tanto traz quanto leva a sensação de que também fazemos parte dessa paisagem interior (da casa, do lar, de nosso espírito). E que somos um objeto conquistado ou criado, mas nunca comprado ou vendido.

Precisamos receber a atenção dos objetos, para ganharmos sua confiança em termos de reconhecimento cotidiano pelo que não nos pertence (eternidade) mesmo estes objetos sendo "nossos" (tempo presente).

Assim se conquistam os objetos, criamo-los e nos tornamos um deles quando temos a atenção dos objetos ou, caso assim queiramos, darmos atenção a eles.





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quinta-feira, 15 de junho de 2017

A estrada, o caminho, a viagem
[Trecho do livro O fácil, o difícil e o impossível – ano 1 editora – J.A.B.]

aartedavidalivre WORDPRESS.COM








Sejam quantas forem as estradas, tenham quantas formas tiverem os caminhos, a viagem estará se revelando tanto para quem passa, quanto para quem ainda vai passar.
A viagem não é ir. A viagem não é chegar. A viagem não é um intervalo, nem dois supostos extremos de um movimento pendular, por exemplo.
Alcançar a consciência da viagem é vencer a si mesmo naquilo que se possui de efêmero, seja na ingênua quietude de uma estrada ou dentro de um sinuoso e óbvio caminho.
A viagem é não sentir mais a sensação de dormência no espírito, ou a ansiedade pelos resultados de um caminho. A viagem é a estrada, é o caminho, é o estar sozinho sabendo-se único a cada momento, porque o ritmo da existência passa por um movimento de expansão da consciência, o que nos torna múltiplos e, ao mesmo tempo, nos põe dentro de uma impressão única.
A viagem é quando podemos ouvir a respiração do Universo no ir e vir das manhãs, no ruflar das migrações do horizonte, no atraente movimento das ondas do mar e, principalmente, quando vemos as crianças crescerem enquanto nossos olhos alcançam as nuvens, aos poucos abandonando nossos corpos à fecundação da terra.
Esta é a verdadeira viagem.




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terça-feira, 13 de junho de 2017

Álbum de figurinhas

http://www.kibeloco.com.br/2014/05/21/figurinha-carimbada/















Quando a gente é pequeno e a vida menor ainda, tudo é muito grande, muito “adulto”, muito tudo.

Lembro do meu álbum de figurinhas de jogadores de futebol.

Nossa, eu andava com ele debaixo do braço como quem leva a própria sorte em vários rostos, em várias expressões fotográficas de felicidade e alegria (oportunamente aqui nas crônicas darei minha versão pessoal da diferença entre as duas).

Cresci. O álbum se perdeu com a força criativa da minha infância, mas não perdi a mania de colecionar “figuras”, algumas até que merecem o status de “carimbadas”... “figurinhas” difíceis...

As pessoas que passam por nós merecem um lugar nas páginas que escrevemos ao longo de nossas vidas. Muitas não foram difíceis de “colar” em nosso álbum; outras, mais difíceis de conseguir apenas comprando na “banca de jornal” de qualquer dia.

Tem também aquelas (talvez as mais difíceis ainda) que a gente só consegue jogando um bafo-bafo imprevisível, onde às vezes não é o tamanho dos dedos das mãos (carinho) e, sim, a força afetiva do movimento das mãos.

Enfim (sem final, nem finalidade, nem finitude), quase chegando (falta 4) aos 70 anos de idade, meu “álbum de figurinhas” da vida está quase preenchido; falta apenas duas:

1) o jogador de futebol das bases do OLARIA A.C. que nunca consegui ser (isto, 15 anos antes do Romário que, tal como eu, foi criado na Penha e jogou neste tradicional clube do subúrbio do Rio de Janeiro);

2) a incógnita do futuro! Qual será a última figurinha que falta no meu álbum?

As interjeições vão se transformando aos poucos em interrogações...




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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Alguma das leis de Euclides















Se me perguntassem se prefiro um riso aberto ou um rosto sério, eu responderia... talvez... ou até tardiamente... para qualquer

PESSOA

Prefiro um grande mar aberto e revolto do que uma simples

LAGOA

Uma chuva torrencial do que uma simples

GAROA

Sair tropeçando (pelos becos e vielas) nas próprias pernas do que andar à vista e

À TOA

Andar sem tocar os pés no chão como quem a tudo

PERDOA

Mais do que quem toca ou quem canta, apenas e sutilmente uma canção

ENTOA


Mais do que conhecer o mundo pelos livros, viver livre como quem

VOA


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O "eu" de Euclides

     I.        Ponto é o, que não tem partes, ou o, que não tem grandeza alguma.
   II.        Linha é o, que tem comprimento sem largura.
  III.        As extremidades da linha são pontos.
 IV.        Linha recta é aquella, que está posta egualmente entre as suas extremidades.
  V.        Superfície é o, que tem comprimento e largura.
 VI.        As extremidades da superfície são linhas.
VII.        Superfície plana é aquella, sobre a qual assenta toda uma linha recta entre dous pontos quaesquer, que estiverem na mesma superfície.
VIII.        Angulo plano é a inclinação reciproca de duas linhas, que se tocam em uma superfície plana, sem estarem em direitura uma com a outra.
 IX.        Angulo plano rectilineo é a inclinação reciproca de duas linhas rectas, que se encontram, e não estão em direitura uma com outra.


terça-feira, 6 de junho de 2017

No trem... não tem... tempo...
















“Meu mundo é hoje / Não existe o amanhã pra mim!” Um coroa meio maluco que nem eu cantava assim (com a diferença de que, além de “meio maluco”, eu também estava “meio chapado” e ele não, ele estava trabalhando duro..).

E, vendo que não conseguia vender nada, pelo menos encontrou minha adesão ao “nada” dele, ou seja, corrigi quando ele disse que o samba era do Paulinho da Viola... era e será eternamente de WILSON BAPTISTA, com todas as letras maiúsculas.

Ele, sentindo minha resposta musical paralela ao silêncio dos passageiros, jogou outra informação que eu corroborei: Gonzagão (“Ela só quer / Só pensar em namorar!”).

– Sabe o que disse Vinícius de Moraes sobre as mulheres?!

Eu respondi: – Que a beleza é fundamental, o que eu acho mais ou menos... incompleto, digamos assim...

Aí levantei para dar lugar a ele, porque minha estação estava chegando...

– E Nelson Rodrigues?! – Indagou ele...

– Que as mulheres gostam de apanhar?! Só se foram as mulheres dele! – aí, a mulherada aplaudiu e nós dois “crescemos” na atenção dos demais.

– Adoniran Barbosa não podia perder o trem, o senhor não vai perder a sua estação, hein?!

“Moro em Jaçanã!” – cantarolei despedindo-me dele e de todos, descendo do vagão com a atenção pertinente a um velho condutor da MPB para não deixar que nem eu nem a MPB caia no esquecimento.

Ninguém combinou nada. Ninguém sabia o que ia acontecer. Talvez Deus... talvez o destino... ou a memória de nossos velhos amigos que já se foram...

Foi uma intervenção da nossa memória para surpresa dos trabalhadores que, num final de dia, jamais imaginariam encontrar.

Os aplausos finais não foram para mim nem para o outro coroa meio maluco que nem eu, foram para Wilson Baptista... Paulinho da Viola... Luiz Gonzaga... a mais rica memória musical de nosso país...

É impressionante o quanto a mídia grande e o capital grande (o adjetivo sempre depois do substantivo indica teor pejorativo) desnivelam os seres humanos de sua cultura de raiz, ou seja, de sua própria cultura.

FOI UM SUCESSO !!!





quinta-feira, 1 de junho de 2017

A libertação do fim

















Às vezes penso que cada passo que damos obedece ao ritmo da velha e nefasta tríade: primeiro passo: presente; segundo, passado; terceiro, futuro. E, assim, sucessivamente...

(Gosto muito de reticências. Elas permitem ao leitor dar continuidade à linha de raciocínio do autor e a descortinar novas paisagens, à revelia desse mesmo autor.)

Mas vamos de trás pra frente, ok?! Eu concordo com aqueles que acham que devemos deixar o melhor por último (aliás, se você se dedica a um objetivo, deixando de lado paranoias de bons resultados, neuroses de foco excessivo, etc., realmente o que vem por último é a melhor parte do bolo).

O terceiro passo, o futuro (infinito), é nublado porque aqui entram diversos fatores basilares de conduta: religião, filosofia e até crendices.

O segundo passo, o passado (fim), é uma sucata que pode até servir como matéria prima de adubo aos pastos, de renovação à natureza e até recriação de erros para novos investimentos. Só!

Quanto ao presente ... Podemos, sim, materializar-nos em Nirvana aqui e agora, neste lugar e nesta hora. Ou o paraíso, como preferirem. Ou o encontro inesperado consigo mesmo, como podem querer outros.

Este é o passo presente. Geralmente, inconsciente porque é espontâneo e não está preocupado em se impor ao anular um ou outro momento estranho ao de agora.


Estamos onde estamos. Somos o que somos. Fazemos o que fazemos. Olhamos com nosso próprio olhar. Assim é o “nirvana”... ou “paraíso”... ou “self service psíquico”...



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