quinta-feira, 4 de maio de 2017

Hino ou oração?!













"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." [Rui Barbosa - 1914]

Vivemos uma época em que já não nos cabe mais cantar hinos, porque podem tornar-se estímulo musical não para uma guerra declarada e comum a um povo, mas para uma convocação à violência que nossa sociedade vive hoje em dia.

Uma oração cabe bem melhor em nossos dias de franca atitude de desrespeito que o ser humano tem por si próprio, porque as palavras sagradas (seja qual for a religião do cidadão) nos remetem à esferas sublimes de entendimento sobre o que está se passando entre nós.

Um hino convoca; uma oração invoca.

Um hino pode ser uma canção devassa de um jovem cantor de hap; uma oração pode ser um apelo sincero e profundo.

Um hino, hoje em dia, exige apenas palavras desconexas, palavrões incabíveis ou métrica e rimas esquartejadas; uma oração pode ser expressa por um simples olhar de compaixão (“Como eu não sei rezar / Só queria mostrar / Meu olhar, meu olhar, meu olhar” – Renato Teixeira).

Enfim, nosso tempo é de oração, não de hinos, porque cada um de nós tem de redescobrir-se como parte de um todo, e este é um bom início: voltar ao princípio agregador de tudo (nossa ação individual) para chegar ao todo desintegrador (ação coletiva).

 “Oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do homem”, para fechar esta crônica com o mesmo autor que a iniciamos.



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