terça-feira, 22 de agosto de 2017

Davi e Golias glamourosos












Diz o menor:
– Calma aí, vamos conversar! Que tal se unirmos a minha astúcia à sua tranquilidade, hein grandalhão?!
O grandalhão:
– Mas você viu a cor das peças íntimas da minha mulher!"
Ao que o baixinho respondeu:
– Mas que culpa tenho eu de ser tão baixinho, além do que sou estrábico e daltônico, daí...
O grandalhão:
– Tá bom! Mas está vendo a minha pata da direita erguendo-se?!
– Sim, mas por favor, não me agrida!

– Não, eu vou é te fazer um carinho em nome do direito de todos serem diferentes, apesar de semelhantes em suas fraquezas!




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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Elvis Presley, um conto de fadas?!
(Não é culpa da formiga nem da cigarra...)



Os contadores de histórias (todo poeta, no fundo, é um, e eu que o diga) devem viver encafifados até hoje, não com a morte inexplicável (do ponto de vista dos corações que começaram a dançar a música negra do Mississipi na pele de um branco extraordinário, visionário e futurista.).

Por que me refiro aos contadores de histórias?! Porque entre a formiga trabalhadora e a cigarra cantadora, ninguém nunca admitiu a possibilidade de haver um interregno, como diriam os mais intelectuais.

A Formiga um dia morreria de tanto trabalhar... A Cigarra, de tanto cantar...

Mas ele, Elvis, desfez esse engano de um conto de fadas e, assim, tornou humano este mesmo conto. Por quê?!

Por que rebolou?! Por que era branco de voz negra?! Por que nasceu no Mississipi?! Por que era lindo, do ponto de vista das meninas desta época e como modelo para os jovens, como eu, que tinham sonhos e um desses maiores sonhos era ser um “elvis Presley”?!

A humanidade precisa de Elvis’s, Einsteins, Galileus... Caras que sobrevoaram o futuro e trouxeram uma imagem nova do Universo, seja social, político, econômico, artístico, etc e tal.

Quanto à formiga e à cigarra, ambos seguiram seus destinos, mas Elvis não seguiu... abriu novos destinos para toda uma geração pós-guerra, que aprendeu a duvidar de limites, de fronteiras, conceitos “pré”...

E isso tem um preço e um valor. O preço é a própria extinção (cigarra explodindo de canto OU DE TANTO CANTAR) e a perpetuidade da espécie. O valor... bem, o valor é inconsciente, inconcebível, inimaginável pelo próprio condutor desta ideia...

Só quem sobrevive ao tempo não é o indivíduo, é o grupo a que ele pertence. E este grupo insere-se no “Grande Tempo”, teoria de Mikhail Baktin, por exemplo, que transfere para o mundo histórico temporalmente o que qualquer cidadão como Elvis, forte demais para si próprio, um sentimento coletivo (Jung?!) insustentável para uma época.

Adeus, querido super-herói de minha adolescência! Não quero (até mesmo porque não conseguiria...) trabalhar tanto e em vão como as formigas, nem cantar o canto da explosão das cigarras.

Meu pulmão se enche. O coração inflama. A mente sempre reclama... mas não vou deixar que só a História te ame. Eu sou um cidadão e, como tal, também te amo e, por muito menos do que você fez, morrerei também...

Morreremos...



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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Artistas sem mídia e meio dia

"Pincelada Tridimensional", de Marcelo Nitsche (2000)










Olha só!
Esses caras não sabem o que estão fazendo. Se soubessem, no mínimo estariam envergonhados, mesmo sem devolver tudo que tiraram de nós.

Envergonhados?! Rsss... Se tivessem um pouco de humanidade, nunca se sentiriam assim, né verdade?!

Somos artistas do povo, cheios de problemas, cheios de contas a pagar, cheios de não receber nada, por sermos artistas criativos e trabalhadores honestos.

Cheios de esquinas, cheios de promessas mal resolvidas e tricotagem que nunca chegam ao fim. Cheios de aventuras forçosas e utopias sem empurrões.

Quem somos nós?! Onde estamos?!

Estou lendo Mario Vargas Llosa (Sabres e Utopias)... Deixei um pouco de lado Herman Hesse (A arte dos ociosos)...

E você, pobre e desorientado leitor que nem eu, diria: o que tem a ver um livro com o outro? Não sei. Estão rolando aqui pelo meu quarto. De vez em quando pousando em minhas mãos.

Já disse uma vez o meu amigo e filósofo e minimalista e mímico Jiddu Saldanha: “Serei feliz, nem que seja por vingança!”


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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Amnésia, Alzheimer ou Amor

pt.wallpapersja.com










Sei não, ando esquecendo algumas coisas... tipo procurar o óculos quando ele está em cima da cabeça... as chaves da casa quando está em minhas mãos... o próprio silêncio, quando falo demais... o boné, quando ele já está na mochila... ou os dois, quando estão pendurados pela alça em meus ombros... ou até mesmo a solidão, quando estou em meio a tanta gente do centro da cidade do Rio de Janeiro...

Sei não... Lembro do Belini, primeiro brasileiro a levantar a então “Taça do Mundo”, grande zagueiro central do antigo screcht nacional de 1958 que vingou o maracanaço de 1950 diante do Uruguai, na final de 1x2 para os adversários, diante de 200 mil pessoas presentes no estádio.

Belini ficou, mais ou menos, os últimos 15 anos de sua vida sendo tratado como portador de Alzheimer, devido ao uso excessivo das cabeçadas na bola por ser zagueiro. Quando faleceu, os médicos constaram, após biópsia, que ele não era alzheimeriano e, sim, sofria de lesões adquiridas ao longo dos anos como jogador.

Lembro de outra pessoa. Um amigo que só lembrava de mim, porque tocamos violão juntos durante muitos anos e, curiosamente, ele chegou a esquecer a maioria dos acordes, mas por que nunca esquecia (em tom maior) o Dó e (em tom menor) o Lá? E conseguia tocar músicas de samba e bossa nova, ambos de harmonia complicada, apenas na sequência primária desses dois sambas?! Como ele conseguia resumir CORCOVADO (Tom Jobim), por exemplo, a uma sequência natural de Lá menor?!

Bem, agora não quero esquecer o último item do título desta crônica...

Nunca vou esquecer você! Você é como a música: memória remota que, geralmente, nunca morre para um velhinho... ainda estou na “flor” da Terceira Idade, mas...


Posso até esquecer um dia, mas o brilho interior diante de você será eterno.


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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Amor é que nem comida















Amor é que nem comida: quanto mais quentinho, melhor; mas se esquentar demais também, queima muito... e aí...

Se não tiver o amor que a gente quer em um determinado lugar ou em uma determinada pessoa, o que a gente faz?!

Chorando, sorrindo (ou de um jeito frio) vamos em frente não “procurando” propriamente, mas seguindo a vida e tudo que ela nos oferece, embora as conquistas, as expectativas, as surpresas sejam sempre inevitáveis, tanto quanto qualquer outro fenômeno surpreendente do Universo.

Tanto o amor quanto a comida devem estar sob a égide do nosso lado racional, senão a gente está ferrado; porque não nascemos só para o “muito frio” ou “muito quente” e, sim, para o que nos permitirá continuar a sequência inevitável de Ser.

Não é só a língua que queima durante uma garfada de comida, a língua também “queima” quando o beijo causa a erupção do que está acima de nosso lado humano.

É preciso estar atento e forte / Não temos tempo de temer a morte!” (Caetano Veloso)


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terça-feira, 1 de agosto de 2017

A libertação do fim


excellencestudio.com.br













Às vezes penso que cada passo que damos obedece ao ritmo da velha e nefasta tríade: primeiro passo: presente; segundo, passado; terceiro, futuro. E, assim, sucessivamente...

(Gosto muito de reticências. Elas permitem ao leitor dar continuidade à linha de raciocínio do autor e a descortinar novas paisagens, à revelia desse mesmo autor.)

Mas vamos de trás pra frente, ok?! Eu concordo com aqueles que acham que devemos deixar o melhor por último (aliás, se você se dedica a um objetivo, deixando de lado paranoias de bons resultados, neuroses de foco excessivo, etc., realmente o que vem por último é a melhor parte do bolo).

Este terceiro passo, o futuro (infinito), é nublado porque aqui entram diversos fatores basilares de conduta: religião, filosofia, e até crendices.

O segundo passo, o passado (fim), é uma sucata que pode até servir como matéria prima de adubo aos pastos, de renovação à natureza e até recriação de erros para novos investimentos na vida. Mas só!

Quanto ao presente ... Podemos, sim, materializar-nos em Nirvana aqui e agora, neste lugar e nesta hora. Ou o paraíso na Terra, como preferirem. Ou em encontro inesperado consigo mesmo, como podem querer outros.

Este é o passo presente. Geralmente, inconsciente porque é espontâneo e não está preocupado em se impor ao anular um ou outro momento estranho ao de agora.


Estamos onde estamos. Somos o que somos. Fazemos o que fazemos. Olhamos com nosso próprio olhar. Assim é o nosso nirvana pessoal... ou o paraíso na Terra... ou self service psíquico.


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