Alfabetagametizando
Quando eu era pequeno (e não pensava muito, só vivia, deixando esta tarefa para minha mãe e meu pai), a grafia tinha certo sabor diferente da que eu sentia em um prato de comida.
Parecia que cada letra tinha seu próprio significado e que
não era apenas um signo ou símbolo. O caderno de caligrafia abria-se como um
horizonte de possibilidades morfológicas letra a letra.
As curvas do a eu,
ainda impúbere, já pressentia que muito prazer me esperava pela frente no
futuro. O i minúsculo me lembrava um
jogador de futebol equilibrando a bola ou mesmo cabeceando para o alto. E o J maiúsculo, abrindo o espaço em meu
nome, que tinha uma curva tipo a e
ainda sustentava a bola na cabeça, sugerindo visivelmente a junção de um
bailado e um malabarismo?!
Mas, hoje, ao escrever, o pensamento é muito veloz e a
grafia perdeu seu encanto primário, submetendo-se a um papel de coadjuvante de
uma semântica do século XXI, sem o menor comprometimento com a arte de ser
feliz entre um lápis e uma caneta esferográfica.
Bons tempos! Bons tempos!
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ano 1 editora
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(21) 99682-8364
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