terça-feira, 25 de julho de 2017

Canção sem o menor constrangimento

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Ai, quem dera ter você aqui perto para cuidar de mim não tanto como cuida do teu cachorro... Puxa vida, eu não tô legal, sabe?! Não estou em mim, as coisas não estão se encaixando em mim, pior ainda assim longe de você.
Quisera você pudesse soprar alguma coisa pelos seus lábios que eu tanto beijo e que tanto lambem meu corpo na cama... quisera fôssemos um só, aí sim eu estaria com tudo dentro de mim... eu voltaria para mim!
Eu sei muito bem o que se passa, mas saber não é tudo: eu precisaria aprender a passar junto a tudo. Ou seja, sentir o que está acontecendo não só em mim como também em tudo.
Depois que isso passar, vou me tornar mais crescido, mais humano, mais consciente do que aproxima todos nós em humanidade. Mas dói tanto quanto o afastamento da borboleta do casulo... da semente da terra... do olhar desenfreado da íris indo ao encontro do voo do Universo.
Tudo bem, eu só quero chorar em paz, mesmo que você ainda não tenha visto isso. Mas saiba que eu também choro, também oro, também busco clareza na turbulência de um pranto sincero pelo que a gente não tem, pelo que a gente procura ter, pelo que a gente até tem mas não reconhece como o verdadeiro valor do que é ter alguém ou alguma coisa segurando nossas mãos ou atraindo nossos olhos.
Então, eu choro...



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