quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Elvis Presley, um conto de fadas?!
(Não é culpa da formiga nem da cigarra...)



Os contadores de histórias (todo poeta, no fundo, é um, e eu que o diga) devem viver encafifados até hoje, não com a morte inexplicável (do ponto de vista dos corações que começaram a dançar a música negra do Mississipi na pele de um branco extraordinário, visionário e futurista.).

Por que me refiro aos contadores de histórias?! Porque entre a formiga trabalhadora e a cigarra cantadora, ninguém nunca admitiu a possibilidade de haver um interregno, como diriam os mais intelectuais.

A Formiga um dia morreria de tanto trabalhar... A Cigarra, de tanto cantar...

Mas ele, Elvis, desfez esse engano de um conto de fadas e, assim, tornou humano este mesmo conto. Por quê?!

Por que rebolou?! Por que era branco de voz negra?! Por que nasceu no Mississipi?! Por que era lindo, do ponto de vista das meninas desta época e como modelo para os jovens, como eu, que tinham sonhos e um desses maiores sonhos era ser um “elvis Presley”?!

A humanidade precisa de Elvis’s, Einsteins, Galileus... Caras que sobrevoaram o futuro e trouxeram uma imagem nova do Universo, seja social, político, econômico, artístico, etc e tal.

Quanto à formiga e à cigarra, ambos seguiram seus destinos, mas Elvis não seguiu... abriu novos destinos para toda uma geração pós-guerra, que aprendeu a duvidar de limites, de fronteiras, conceitos “pré”...

E isso tem um preço e um valor. O preço é a própria extinção (cigarra explodindo de canto OU DE TANTO CANTAR) e a perpetuidade da espécie. O valor... bem, o valor é inconsciente, inconcebível, inimaginável pelo próprio condutor desta ideia...

Só quem sobrevive ao tempo não é o indivíduo, é o grupo a que ele pertence. E este grupo insere-se no “Grande Tempo”, teoria de Mikhail Baktin, por exemplo, que transfere para o mundo histórico temporalmente o que qualquer cidadão como Elvis, forte demais para si próprio, um sentimento coletivo (Jung?!) insustentável para uma época.

Adeus, querido super-herói de minha adolescência! Não quero (até mesmo porque não conseguiria...) trabalhar tanto e em vão como as formigas, nem cantar o canto da explosão das cigarras.

Meu pulmão se enche. O coração inflama. A mente sempre reclama... mas não vou deixar que só a História te ame. Eu sou um cidadão e, como tal, também te amo e, por muito menos do que você fez, morrerei também...

Morreremos...



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