Amnésia, Alzheimer ou
Amor
Sei não, ando esquecendo algumas coisas... tipo procurar o óculos quando ele está em cima da cabeça... as chaves da casa quando está em minhas mãos... o próprio silêncio, quando falo demais... o boné, quando ele já está na mochila... ou os dois, quando estão pendurados pela alça em meus ombros... ou até mesmo a solidão, quando estou em meio a tanta gente do centro da cidade do Rio de Janeiro...
Sei não... Lembro do Belini, primeiro brasileiro a levantar
a então “Taça do Mundo”, grande zagueiro central do antigo screcht nacional de 1958 que vingou o maracanaço de 1950 diante do Uruguai, na final de 1x2 para os
adversários, diante de 200 mil pessoas presentes no estádio.
Belini ficou, mais ou menos, os últimos 15 anos de sua vida sendo tratado como portador de Alzheimer, devido ao uso excessivo das cabeçadas na
bola por ser zagueiro. Quando faleceu, os médicos constaram, após biópsia, que
ele não era alzheimeriano e, sim, sofria de lesões adquiridas ao longo dos anos
como jogador.
Lembro de outra pessoa. Um amigo que só lembrava de mim,
porque tocamos violão juntos durante muitos anos e, curiosamente, ele chegou a
esquecer a maioria dos acordes, mas por que nunca esquecia (em tom maior) o Dó
e (em tom menor) o Lá? E conseguia tocar músicas de samba e bossa nova, ambos de harmonia complicada, apenas na sequência primária desses dois
sambas?! Como ele conseguia resumir CORCOVADO (Tom Jobim), por exemplo, a uma
sequência natural de Lá menor?!
Bem, agora não quero esquecer o último item do título desta
crônica...
Nunca vou esquecer você! Você é como a música: memória
remota que, geralmente, nunca morre para um velhinho... ainda estou na “flor”
da Terceira Idade, mas...
Posso até esquecer um dia, mas o brilho interior diante de
você será eterno.
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ano 1 editora
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