PARTIDO ALTO
ENTRE A REPETIÇÃO INTENCIONAL
(rotina - refrão)
E O IMPROVISO INESPERADO
(liberdade - versificação)
João de Abreu Borges
PRIMEIRA PARTE
A roda
de samba - A volta da vida - A vida de bamba
O grande poeta modernista (terceira geração) brasileiro Dante Milano escreveu
por volta da década de 1930: “Eu canto a
vida / A verdadeira vida / Não a que é vivida / Mas a que está perdida / A que
é apenas sonhada”.
Começamos nossa reflexão, então, questionando qual a
fronteira (se é que existe) entre sonho e realidade, e fizemos uso acima dos
versos do genial poeta conterrâneo nosso.
Se considerarmos que ambos (sonho/realidade) são fugazes,
então não pode haver fronteira nenhuma, do contrário essa fugacidade não se
transformaria em transitoriedade permanente, tais como são os versos
improvisados do Partido Alto, estilo a que nos propomos a abraçar aqui em nosso
texto.
Quando personagens, como Candeia, Geraldo Babão
ou qualquer outro gênio do gênero, se reúnem e pegam seus instrumentos, destes
o único que não sabe exatamente o que vai expressar é a voz, porque os versos
aguardam em algum lugar da alma do sambista sua vez de entrar em cena.
As letras se
metamorfoseiam... as sílabas
transformam-se em palavras... e as palavras
vão tomando conta do ar quase que à revelia de quem canta, já que formarão frases semiautônomas na língua do
improvisador.
Se alguém chegasse para o Padeirinho, por exemplo, e perguntasse que versos usaria ou que
rimas distribuiria pelo canto, ele só saberia responder depois que o Partido
Alto começasse.
(continua)
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ano 1 editora
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