quinta-feira, 21 de setembro de 2017

PARTIDO ALTO

ENTRE A REPETIÇÃO INTENCIONAL (rotina - refrão)
E O IMPROVISO INESPERADO (liberdade - versificação)

João de Abreu Borges












                        PRIMEIRA PARTE

A roda de samba - A volta da vida - A vida de bamba

O grande poeta modernista (terceira geração) brasileiro Dante Milano escreveu por volta da década de 1930: “Eu canto a vida / A verdadeira vida / Não a que é vivida / Mas a que está perdida / A que é apenas sonhada”.

Começamos nossa reflexão, então, questionando qual a fronteira (se é que existe) entre sonho e realidade, e fizemos uso acima dos versos do genial poeta conterrâneo nosso.

Se considerarmos que ambos (sonho/realidade) são fugazes, então não pode haver fronteira nenhuma, do contrário essa fugacidade não se transformaria em transitoriedade permanente, tais como são os versos improvisados do Partido Alto, estilo a que nos propomos a abraçar aqui em nosso texto.

Quando personagens, como Candeia, Geraldo Babão ou qualquer outro gênio do gênero, se reúnem e pegam seus instrumentos, destes o único que não sabe exatamente o que vai expressar é a voz, porque os versos aguardam em algum lugar da alma do sambista sua vez de entrar em cena.

As letras se metamorfoseiam... as sílabas transformam-se em palavras... e as palavras vão tomando conta do ar quase que à revelia de quem canta, já que formarão frases semiautônomas na língua do improvisador.

Se alguém chegasse para o Padeirinho, por exemplo, e perguntasse que versos usaria ou que rimas distribuiria pelo canto, ele só saberia responder depois que o Partido Alto começasse.

(continua)


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