No trem... não tem...
tempo...
“Meu mundo é hoje / Não existe o amanhã pra mim!” Um coroa meio maluco que nem eu cantava assim (com a diferença de que, além de “meio maluco”, eu também estava “meio chapado” e ele não, ele estava trabalhando duro..).
E, vendo que não conseguia vender nada, pelo menos encontrou
minha adesão ao “nada” dele, ou seja, corrigi quando ele disse que o samba era
do Paulinho da Viola... era e será eternamente de WILSON BAPTISTA, com todas as
letras maiúsculas.
Ele, sentindo minha resposta musical paralela ao silêncio
dos passageiros, jogou outra informação que eu corroborei: Gonzagão (“Ela só quer / Só pensar em namorar!”).
– Sabe o que disse Vinícius de Moraes sobre as mulheres?!
Eu respondi: – Que a beleza é fundamental, o que eu acho mais ou menos... incompleto, digamos assim...
Eu respondi: – Que a beleza é fundamental, o que eu acho mais ou menos... incompleto, digamos assim...
Aí levantei para dar lugar a ele, porque minha estação
estava chegando...
– E Nelson Rodrigues?! – Indagou ele...
– Que as mulheres gostam de apanhar?! Só se foram as
mulheres dele! – aí, a mulherada aplaudiu e nós dois “crescemos” na atenção dos
demais.
– Adoniran Barbosa não podia perder o trem, o senhor não vai
perder a sua estação, hein?!
– “Moro em Jaçanã!”
– cantarolei despedindo-me dele e de todos, descendo do vagão com a atenção
pertinente a um velho condutor da MPB para não deixar que nem eu nem a MPB caia
no esquecimento.
Ninguém combinou nada. Ninguém sabia o que ia acontecer.
Talvez Deus... talvez o destino... ou a memória de nossos velhos amigos que já
se foram...
Foi uma intervenção da nossa memória para surpresa dos
trabalhadores que, num final de dia, jamais imaginariam encontrar.
Os aplausos finais não foram para mim nem para o outro coroa meio maluco que nem eu, foram para Wilson Baptista... Paulinho da Viola... Luiz Gonzaga... a mais rica memória musical de nosso país...
Os aplausos finais não foram para mim nem para o outro coroa meio maluco que nem eu, foram para Wilson Baptista... Paulinho da Viola... Luiz Gonzaga... a mais rica memória musical de nosso país...
É impressionante o quanto a mídia grande e o capital grande
(o adjetivo sempre depois do substantivo indica teor pejorativo) desnivelam os
seres humanos de sua cultura de raiz, ou seja, de sua própria cultura.
FOI UM SUCESSO !!!

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