terça-feira, 6 de junho de 2017

No trem... não tem... tempo...
















“Meu mundo é hoje / Não existe o amanhã pra mim!” Um coroa meio maluco que nem eu cantava assim (com a diferença de que, além de “meio maluco”, eu também estava “meio chapado” e ele não, ele estava trabalhando duro..).

E, vendo que não conseguia vender nada, pelo menos encontrou minha adesão ao “nada” dele, ou seja, corrigi quando ele disse que o samba era do Paulinho da Viola... era e será eternamente de WILSON BAPTISTA, com todas as letras maiúsculas.

Ele, sentindo minha resposta musical paralela ao silêncio dos passageiros, jogou outra informação que eu corroborei: Gonzagão (“Ela só quer / Só pensar em namorar!”).

– Sabe o que disse Vinícius de Moraes sobre as mulheres?!

Eu respondi: – Que a beleza é fundamental, o que eu acho mais ou menos... incompleto, digamos assim...

Aí levantei para dar lugar a ele, porque minha estação estava chegando...

– E Nelson Rodrigues?! – Indagou ele...

– Que as mulheres gostam de apanhar?! Só se foram as mulheres dele! – aí, a mulherada aplaudiu e nós dois “crescemos” na atenção dos demais.

– Adoniran Barbosa não podia perder o trem, o senhor não vai perder a sua estação, hein?!

“Moro em Jaçanã!” – cantarolei despedindo-me dele e de todos, descendo do vagão com a atenção pertinente a um velho condutor da MPB para não deixar que nem eu nem a MPB caia no esquecimento.

Ninguém combinou nada. Ninguém sabia o que ia acontecer. Talvez Deus... talvez o destino... ou a memória de nossos velhos amigos que já se foram...

Foi uma intervenção da nossa memória para surpresa dos trabalhadores que, num final de dia, jamais imaginariam encontrar.

Os aplausos finais não foram para mim nem para o outro coroa meio maluco que nem eu, foram para Wilson Baptista... Paulinho da Viola... Luiz Gonzaga... a mais rica memória musical de nosso país...

É impressionante o quanto a mídia grande e o capital grande (o adjetivo sempre depois do substantivo indica teor pejorativo) desnivelam os seres humanos de sua cultura de raiz, ou seja, de sua própria cultura.

FOI UM SUCESSO !!!





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