terça-feira, 20 de junho de 2017

A atenção dos objetos ou...


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Mora-se numa casa simples. Ampliam-se os espaços enquanto expressão viva de seus significados. Um vaso de planta pode nos colocar diante de uma floresta, se de uma floresta vieram estas flores. E as flores podem nos deslocar para uma mulher, se esta mulher intencionou eternizar-se entre mim e o mundo.

Cada objeto que compõe uma casa torna-se ímpar diante do fato de que seu único par é a importância que tem para os fenômenos da memória humana.

Constrói-se um lar, mas não se constrói necessariamente uma casa; e vice-versa. A casa é um aspecto físico de nossa memória e, como tal, serve apenas como um abrigo físico. O lar é o conjunto de afetos que são remetidos por cada objeto conquistado, seja pelo sentimento de pessoas queridas, seja aptidão de cada um em criá-los com suas próprias mãos.

O olhar se deixa dominar por tamanho amor envolvido nesta história, que tanto traz quanto leva a sensação de que também fazemos parte dessa paisagem interior (da casa, do lar, de nosso espírito). E que somos um objeto conquistado ou criado, mas nunca comprado ou vendido.

Precisamos receber a atenção dos objetos, para ganharmos sua confiança em termos de reconhecimento cotidiano pelo que não nos pertence (eternidade) mesmo estes objetos sendo "nossos" (tempo presente).

Assim se conquistam os objetos, criamo-los e nos tornamos um deles quando temos a atenção dos objetos ou, caso assim queiramos, darmos atenção a eles.





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