A atenção dos objetos
ou...
Mora-se numa casa simples. Ampliam-se os espaços enquanto expressão viva de seus significados. Um vaso de planta pode nos colocar diante de uma floresta, se de uma floresta vieram estas flores. E as flores podem nos deslocar para uma mulher, se esta mulher intencionou eternizar-se entre mim e o mundo.
Cada objeto que compõe uma casa torna-se ímpar diante do
fato de que seu único par é a importância que tem para os fenômenos da memória
humana.
Constrói-se um lar,
mas não se constrói necessariamente uma casa;
e vice-versa. A casa é um aspecto físico de nossa memória e, como tal, serve
apenas como um abrigo físico. O lar é o conjunto de afetos que são remetidos
por cada objeto conquistado, seja pelo sentimento de pessoas queridas, seja
aptidão de cada um em criá-los com suas próprias mãos.
O olhar se deixa dominar por tamanho amor envolvido nesta
história, que tanto traz quanto leva a sensação de que também fazemos parte
dessa paisagem interior (da casa, do lar, de nosso espírito). E que somos um
objeto conquistado ou criado, mas nunca comprado ou vendido.
Precisamos receber a atenção dos objetos, para ganharmos sua
confiança em termos de reconhecimento cotidiano pelo que não nos pertence
(eternidade) mesmo estes objetos sendo "nossos" (tempo presente).
Assim se conquistam os objetos, criamo-los e nos tornamos um
deles quando temos a atenção dos objetos
ou, caso assim queiramos, darmos atenção
a eles.
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ano 1 editora
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(21) 99682-8364
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