quinta-feira, 15 de junho de 2017

A estrada, o caminho, a viagem
[Trecho do livro O fácil, o difícil e o impossível – ano 1 editora – J.A.B.]

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Sejam quantas forem as estradas, tenham quantas formas tiverem os caminhos, a viagem estará se revelando tanto para quem passa, quanto para quem ainda vai passar.
A viagem não é ir. A viagem não é chegar. A viagem não é um intervalo, nem dois supostos extremos de um movimento pendular, por exemplo.
Alcançar a consciência da viagem é vencer a si mesmo naquilo que se possui de efêmero, seja na ingênua quietude de uma estrada ou dentro de um sinuoso e óbvio caminho.
A viagem é não sentir mais a sensação de dormência no espírito, ou a ansiedade pelos resultados de um caminho. A viagem é a estrada, é o caminho, é o estar sozinho sabendo-se único a cada momento, porque o ritmo da existência passa por um movimento de expansão da consciência, o que nos torna múltiplos e, ao mesmo tempo, nos põe dentro de uma impressão única.
A viagem é quando podemos ouvir a respiração do Universo no ir e vir das manhãs, no ruflar das migrações do horizonte, no atraente movimento das ondas do mar e, principalmente, quando vemos as crianças crescerem enquanto nossos olhos alcançam as nuvens, aos poucos abandonando nossos corpos à fecundação da terra.
Esta é a verdadeira viagem.




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