quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A minha vila, a minha vida

AliExpress.com











A vila onde moro é cheia de personagens não diria inacreditáveis (até porque se existem é porque dá para acreditar), mas são palpáveis, tangíveis em meu dia-a-dia.
Tenho um vizinho que estudava saxofone e desistiu, coitado! Ele tinha de ir pro meio do mato pra estudar, porque as pessoas eram preconceituosas, impacientes e avessas às coisas e pessoas que lhes tirassem os grilhões de uma rotina insossa.
No tempo do saxofone, ele só estudava canções de bom gosto, tais como SMILE, GAROTA DE PANEMA, AND I LOVE HER, etc...
Agora, depois de abandonar seu instrumento, de vez em quando usa a voz, principalmente, claro, quando não tem nada pra fazer e fica “chamando chuva”, porque pela boca só sai trapalhada, que não vou enumerar aqui por respeito aos meus colegas de trabalho artístico.
Aí, eu pergunto: um instrumento musical exige mais rigor ao gosto de quem o toca do que a voz exige de quem a ergue no ar?
Cantar a gente canta de qualquer jeito, sem compromisso com formalidades como partitura ou até mesmo com a riqueza sonora de um instrumento? Isto na porta de casa, claro!
Onde ficaram aquelas canções primorosas via saxofone que sofreram reclamações dos vizinhos e que hoje foram substituídas pelas músicas de baixa qualidade movimentadas pela língua dele, tanto na música quanto na letra?
E olha que ele não bebe, é até um cara meio religioso... Ou talvez por isso mesmo, sendo a religião algo muito abstrato para nossa musicalidade carioca e espontaneamente suburbana...


ano 1 editora
    45 anos de experiência
(21) 99682-8364

Nenhum comentário:

Postar um comentário