quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Causas e causos:
as flutuações de uma língua
em constante mutação


















É uma coisa fantástica a língua falada democraticamente pelas ruas, pelas esquinas, pelas centenas de tribos que circulam por aí.

Confesso que me dá, às vezes, vontade de apreendê-la, mas ela é escorregadia; em determinado momento significa uma coisa, de repente significa outra.

A minha mais recente surpresa veio de um senhor que disse saber das causas e dos causos com relação a determinado assunto que não lembro agora. Eu entendi “causas” como sendo as coisas que colaboraram para que determinado fato acontecesse. Até aí não há novidade. Mas “causos” concluí que seriam os fatos acontecidos ou acontecendo ou por acontecer.

Lembro agora de “ser a sombra do cocô do cavalo do bandido” como expressão de ser a pior situação em que um homem pode se encontrar. Uma sombra não é nada; menos ainda a sombra de um cocô. Muito menos o cocô de um cavalo. E, pra culminar, o cavalo era do bandido e não do mocinho (expressões típicas do tempo dos filmes de bang-bang do Velho Oeste norte-americano).

“Nem que a vaca tussa!” tornou-se uma expressão incompleta a partir do momento em que a nossa tradição oral acrescentou uma língua para a vaca, ou seja, “Nem que a vaca tussa em alemão!”. Quer dizer, tornou-se mais impossível ainda qualquer chance de um sujeito mudar de ideia...

Pelo contrário, as palavras acompanham a mudança dos tempos e, à medida que os anos passam, se não as acompanhamos, nos condenamos a mumificação de nossos neurônios que precisam estar em permanente movimento para tão cedo não entrarem em curto circuito, como qualquer outro mecanismo (natural ou não) que obedece a um conjunto de leis dinâmicas de existência.




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