O
tempo e suas escaramuças
“... DESDE 1981”
(uma empresa, no rótulo, começou um texto escrevendo isso)... Aí, eu pensei: “Caramba,
eu nasci em 1951 e esta empresa se acha tradicional no mercado só porque nasceu
em 1981, ou seja, trinta anos depois de mim?!”
Tomei o maior
cuidado com a qualidade dos meus pensamentos para que eu já não me visse, antes
do tempo, num leito de hospital ou servindo de lanche para a terra (na verdade,
eu quero que o vento me leve, literalmente, através de cinzas.).
O cuidado teve
de ser redobrado, porque eu estava lendo este texto numa fila em um órgão
público onde a primeira pergunta era a idade da pessoa. Na minha frente tinha
um jovem que respondeu: “17 anos!”.
“17 anos???” O
cara era quase da minha altura, e olha que tenho 1,88, mas a nova geração está
cada vez maior mesmo. Aí, eu fiquei pensando: “O cara nasceu no ano 2000... E
eu que nasci em 1951?!” Como vai ser quando chegar a minha vez (não de morrer,
mas de dizer a idade ali na fila).
Por sorte, atrás
de mim tinha outro senhor, aparentemente menos velho que eu, e isso me
confortou um pouco. “66 anos!”, disse eu ao funcionário, não sem antes pigarrear
discretamente e abaixando um pouco o volume da voz...
O jovem, que já
estava saindo da fila, não deixou de olhar para trás e creio que também se
assustou um pouco com a minha idade, tanto quanto me assustei com a dele.
Uma amiga,
psicóloga, certa vez havia comentado comigo que, realmente, a gente só percebe
pelos outros que a gente está envelhecendo, porque nossa cabeça costuma ser
atemporal...
ano 1 editora
45 anos de experiência
21) 99682-8364
21) 99682-8364

Nenhum comentário:
Postar um comentário