terça-feira, 7 de março de 2017

A cor líquida da flor















Desce, oh flor, desce tua trajetória indefinida ainda. Deixe que o rio te leve para algum lugar mais próximo do mar. Mas não te afobe, não te afogue. Tropece no regato. Beba da correnteza. Mas não espere, não morre. Deixe tuas cores se alimentarem de água. A alegria ou a tristeza, ambas, são parte do caminho, dando espírito à luz de todos os dias.

Teu destino abre-se em muitas pétalas. Algumas, é verdade, ficam pelo caminho para colorir de eternidade o que deixou-de-ser. Outras te acompanham como células vivas... nuas!

As tuas diversas matizes tornam múltiplos os caminhos. Deixa que o rio se encarregue de percorrer o mundo, porque só o mundo pode carregar tudo: o que está vivo e o que está morto. E você ainda está sobre ele.

Não jure para ninguém, oh flor, a não ser para seu próprio perfume, que tua vida não se deitará ao fundo das águas, caso algum peixe te confunda com os arbustos que flutuam do nada; nem se perderá na altura dos céus, caso algum pássaro desabe sobre ti a aguda ferida viva de uma paixão.


Desce, florzinha, desce! Não adormece enquanto a noite for sua; enquanto a lua se abrigar no espelho do rio e te buscar já em forma de mar. Aí, sim, quem poderá saber de tua existência?!



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