A volta dos que não foram
(Significante: semantema; significado: morfema; signifício: transtema)
Quando conversamos – por incrível que pareça – o que menos importa é a palavra e o seu significado. Hoje em dia a gestualidade (expressividade) vai dar sentido a um termo no momento em que é exposto em comunicação.
É o tom que damos ao que falamos que vai
refletir, em sua intensidade, o sentido do que queremos dizer.
Dia desses encontrei
um amigo, perguntei: “Lembra do China”
– um ex-vizinho nosso. Eu só queria dizer que o havia encontrado e ele estava
bem.
Mas... dei muita
ênfase à minha pergunta e isto o impressionou de tal maneira, que o pegou de surpresa
e, como a maioria dos mortais, reagiu emocionalmente:
– Morreu?!
– Não, meu amigo,
quem morreu foi a minha vontade de
continuar nossa conversa. – E cada um foi para o seu lado, num flagrante conflito entre o gesto e a palavra.
Por que o ser humano,
trágico por excelência, tem sempre que dar ou esperar uma notícia ruim que o
emocione, o remexa por dentro, o deixe feliz, sentindo-se vivo como uma forma
de não-morte?!
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