Livros de filosofia X
sacolas de mercado
Eu tinha 23 anos de idade quando peguei a estrada, coisa
comum entre os jovens que se aventuraram em mudar a sociedade mudando a si próprios, na década de
1970, quando o tema principal de nossas vidas era “paz e amor”.
Dei muita sorte por ser músico e já trabalhando, uma vez ou outra, em editoras.
A música me abriu, nessa época, muitas portas de carros e
caminhões para eu seguir em frente na minha jornada até e com um infinito
simples: uma sacola com laranjas, bananas e sempre um livro de Jiddu Krishnamurti,
filósofo hindu que pregava o vazio da mente para se descobrir novos valores
espirituais: sem a ansiedade de uma religião, sem o cárcere de um dogma, sem um
Deus preconcebido.
O livro simbolizava para um caminhoneiro, por exemplo, que
eu era uma pessoa alfabetizada, ilustrada e bem educada. Então, quando demorava
para eu conseguir uma carona, era só eu sentar no chão, puxar um livro e
esquecer da vida. Logo, alguém parava e perguntava para onde eu estava indo...
Mas... dando um salto de quase 50 anos, hoje tenho outra
marca, outro símbolo de bom caráter: quase todos os dias gosto de chegar em
casa não sem antes passar no mercado e comprar alguma coisa.
Para os vizinhos isso é um símbolo de castidade mental,
homem dedicado ao lar, cidadão preocupado sempre com a saúde.
Se vejo alguma promoção boa em outro bairro, pego ônibus ou
trem e lá venho eu voltando com minhas sacolas de mercado, mesmo que num horário
em que as pessoas estejam indo ou voltando do trabalho, com seus trajes sociais
e pastas de trabalho.
Muitas coisas que carregamos são símbolos do que estamos
querendo...
ano 1 editora
45 anos de experiência
(21) 99682-8364
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