A terra dos grãos
O encontro foi
por acaso mas o diálogo não, porque haveria de transformar a vida de ambos. O
acaso sempre foi questionável, já que a Lei da Atração está aí mesmo regendo
nossas vidas, mesmo quando nossas vidas são apenas e aparentemente fruto de um
distraído acaso.
Quem são os
poetas? Homens que
caminham com o coração...
O que é o
coração para eles? O sereno da
noite, as lágrimas dos homens e o instinto dos animais...
E as montanhas? São como o seu cérebro, que fica no alto dos
seus corpos...
E a noite, para
que serve o escuro? Para a noite, o
escuro é a atmosfera perfeita para ver quem tem força natural para brilhar...
Quando os poetas
sangram, além de feridas, o que mais isso pode significar? Que muitas vidas disputam espaço, umas esbarrando
nas outras, sangrando, mostrando o jorro da consciência suprema...
Por que as
portas do paraíso são as mais estreitas, segundo diz a Bíblia e confirmada pela
pele exposta das ruas? Porque, entre
dois caminhos, os poetas escolhem o mais difícil, velejando o sofrimento como
matéria prima da existência plena.
E o encontro
entre a liquidez do mar e a espessura das rochas? Se uma não existisse, a outra não poderia ter
certeza de sua própria existência. O mar e as rochas, embora pareçam
antagônicas, são como o poeta e a poesia... enquanto um for rígido e imortal, o
outro será dócil e passageiro...
E as ilhas, que
flutuam tão sozinhas? Elas não
flutuam... estão enraizadas no fundo do mar... Os limites de uma ilha confirmam
a infinitude do mar que a rodeia. Ninguém pode alcançar um grande amor,
principalmente o Amor Absoluto, se não se sentir uma pequena ilha, porque assim
poderá vislumbrar todo horizonte que o abriga.
Como se abrem os
caminhos? Com a força das
sementes, debaixo para cima; com a força das estrelas, de cima para baixo. Com
a força do pensamento, de dentro pra fora; com a força da natureza, de fora
para dentro.
Por que os
poetas são desobedientes? Até a Terra gira
em torno de seu próprio eixo, mas seu eixo, em relação ao Sol, é inclinado. A
desobediência dos poetas não está em sua intenção, mas em sua ação natural.
Por que temos
sempre de partir? Os poetas sabem
que um poema é composto de versos, assim como a vida é composta de partes. Não
partimos exatamente porque morremos, e sim porque nos despojamos de uma parte
de nós, tal como as cobras trocam de pele, os galhos trocam de folhas ou o céu
troca de nuvens.
Pode-se medir a
distância entre os deuses e os homens? No plural ou no singular, a distância é uma
só, e ela se mede pela clareza dos olhos que vêem com profundidade e na leveza
da língua que fala com sinceridade. Deuses e homens são um só momento, uma só
distância, um só milímetro... infinito!
Qual a época
certa para plantar? Quando o sol
descansa e os homens começam a sonhar...
E para colher? Quando os homens não se cansam e o sol não
para de cantar...
ano 1 editora
45 anos de experiência
(21) 99682-8364

Nenhum comentário:
Postar um comentário