terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A minha vila, a minha vida














A vila onde moro é cheia de personagens não diria inacreditáveis até porque se existem é porque dá para acreditar, e são tangíveis porque dá para cumprimentar.

Tenho um vizinho que estudava saxofone e desistiu, coitado! Ele tinha de ir pro meio do mato aqui perto pra estudar, porque as pessoas eram preconceituosas, impacientes e incultas em termos de música.

No tempo do saxofone, ele só estudava canções de bom gosto, tais como SMILE, GAROTA DE PANEMA, AND I LOVE HER, etc...

Agora, depois de abandonar seu instrumento, de vez em quando usa a voz, principalmente, claro, quando não tem nada pra fazer e fica “chamando chuva”, porque pela boca só sai trapalhada, que não vou enumerar aqui por respeito aos meus colegas de trabalho artístico.

Aí, eu pergunto: um instrumento musical exige mais rigor ao gosto de quem o toca do que a voz exige de quem a ergue no ar?

Cantar a gente canta de qualquer jeito, sem compromisso com formalidades como partitura ou até mesmo com a riqueza sonora de um instrumento?

Onde ficaram aquelas canções primorosas via saxofone, abafadas pelas músicas de baixa qualidade evidente movimentadas pela língua dele, tanto na música quanto na letra?

E olha que ele não bebe, é até um cara meio religioso...



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