A
minha vila, a minha vida
A vila onde moro é cheia de personagens não diria
inacreditáveis até porque se existem é porque dá para acreditar, e são
tangíveis porque dá para cumprimentar.
Tenho um vizinho que estudava saxofone e desistiu, coitado!
Ele tinha de ir pro meio do mato aqui perto pra estudar, porque as pessoas eram
preconceituosas, impacientes e incultas em termos de música.
No tempo do saxofone, ele só estudava canções de bom
gosto, tais como SMILE, GAROTA DE PANEMA, AND I LOVE HER, etc...
Agora, depois de abandonar seu instrumento, de vez
em quando usa a voz, principalmente, claro, quando não tem nada pra fazer e
fica “chamando chuva”, porque pela boca só sai trapalhada, que não vou enumerar
aqui por respeito aos meus colegas de trabalho artístico.
Aí, eu pergunto: um instrumento musical exige mais
rigor ao gosto de quem o toca do que a voz exige de quem a ergue no ar?
Cantar a gente canta de qualquer jeito, sem
compromisso com formalidades como partitura ou até mesmo com a riqueza sonora
de um instrumento?
Onde ficaram aquelas canções primorosas via
saxofone, abafadas pelas músicas de baixa qualidade evidente movimentadas pela
língua dele, tanto na música quanto na letra?
ano 1 editora
45 anos de experiência
(21) 99682-8364

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