terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Chamarei de canção esta faísca no ar




Há uma canção que flutua de coração em coração entre as pessoas que gostam de criar a cada dia que vai, a cada dia que vem. Ao falar desses momentos e dessas pessoas, não gosto de usar as palavras arte e artista, porque ambas estão desgastadas pela mídia grande e monstruosa que domina a opinião pública.
Refiro-me a essa antiga e estranha intuição de pertencimento a Alguém ou Alguma Coisa que rege a cada um de nós com a mesma fórmula, com a mesma vontade de nos fazer felizes, não em separado, mas como Um só.
E cada um dos seres criativos, que se renovam diante de qualquer sofrimento ou mesmo de um grande prazer, mantêm vivas as faíscas que vão girando com o movimento da Terra tornando-nos humanos semelhantes a si mesmos e a Ele.
A canção que flutua dentro de cada um de nós vai-se tornando cada vez menos perceptível, porque sutilmente evolui com cada vez menos notais musicais e cada vez mais com a intensidade do infinito.
Esta canção é minha, é tua, é de todos nós que conhecemos o eterno prazer de sermos tanto sendo apenas Um.


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