Chamarei de canção
esta faísca no ar
Há uma canção
que flutua de coração em coração entre as pessoas que gostam de criar a cada
dia que vai, a cada dia que vem. Ao falar desses momentos e dessas pessoas, não
gosto de usar as palavras arte e artista, porque ambas estão desgastadas
pela mídia grande e monstruosa que domina a opinião pública.
Refiro-me a essa
antiga e estranha intuição de pertencimento a Alguém ou Alguma Coisa que rege a
cada um de nós com a mesma fórmula,
com a mesma vontade de nos fazer felizes, não em separado, mas como Um só.
E cada um dos
seres criativos, que se renovam diante de qualquer sofrimento ou mesmo de um
grande prazer, mantêm vivas as faíscas que vão girando com o movimento da Terra
tornando-nos humanos semelhantes a si mesmos e a Ele.
A canção que
flutua dentro de cada um de nós vai-se tornando cada vez menos perceptível,
porque sutilmente evolui com cada vez menos notais musicais e cada vez mais com
a intensidade do infinito.
Esta canção é
minha, é tua, é de todos nós que conhecemos o eterno prazer de sermos tanto
sendo apenas Um.

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